Aspirantes

  Dom Bosco disse: "O que somos é presente de Deus; no que nos transformamos é o nosso presente a Ele"

24 de out de 2011

Salesianos em Missão.

DIÁRIO DA ANGOLA - 20

de Pe. Luiz De Liberali

missionário salesiano

PÁSCOA 2011

No diário passado (nº 19) falei de 4 cursos de formação para alfabetizadores e catequistas. O último aconteceu na metade da quaresma. Deste modo terminei, juntamente aos colaboradores, a preparação dos animadores dos cursos de alfabetização e dos catequistas (totalizando assim 160 pessoas, distribuídos numa área de 80.000 km2). Em seguida celebrei a Semana Santa e a Páscoa nas maiores comunidades rurais, distante de Luena.

“RETIRO” DE MAKONDOLO

O 5º curso para alfabetizadores e catequistas aconteceu em Makondolo, a 250 km de Luena, de 30 de março a 13 de abril, com a presença de 32 animadores (5 deles eram mulheres) de 12 povoados diferentes.

UMA VIAGEM DIFÍCIL

A área de Makondolo é a mais difícil a ser alcançada, por causa da situação precária das estradas. Como neste ano choveu muito, a situação piorou ainda mais: no lugar de um dia de viagem, foram necessários dois! No primeiro dia percorremos 200 km, atolando 3 vezes. Já era noite quando chegamos no último bairro antes de atravessar o maior rio da região, o rio Lungue-Bungo. Quando perguntamos ao povo se podíamos continuar, alguns disseram que sim, mas as mulheres, mais sábias, nos convidaram a parar e passar a noite, para não encontrar problemas. Foi uma bênção, porque o dia seguinte nos esperava uma tarefa árdua!

NA LAMA

Depois de nos levantar e celebrar a eucaristia com o povo, chegamos às 8:30h na ponte. Quando começamos a atravessar o lamaçal (cerca de 70 m) que precede a ponte, o carro atolou na lama. Depois de esvaziar tudo o que a gente transportava (era muita coisa necessária para os 15 dias do curso!), tentamos levantar o carro com o macaco para prosseguir, mas não conseguimos. Só quando chegaram 8 jovens (que mandamos chamar) de outra comunidade vizinha, com muito esforço conseguimos passar a ponte: eram já 13:30h quando atravessamos o rio! Na volta (depois de 15 dias) o local já estava livre de água, mas permanecia a lama: fizemos duas esteiras de paus (uma de cada lado do carro) para poder passar: deu certo!


COMO NUM RETIRO

À noite chegamos em Makondolo, onde já nos esperavam os animadores que tinham vindo de pé, das suas comunidades, para participar do encontro. Os 15 dias do curso transcorreram tranquilos, com muita formação (uma semana sobre o método dom Bosco de alfabetização e outra para estudar o catecismo) e muita espiritualidade: parecia quase um retiro quaresmal. A natureza maravilhosa na qual estávamos nos ajudou: um rio tranquilo para beber e tomar banho, flores, borboletas, lenha para o fogo, cabras do mato para caçar... e o povo do lugar!

UMA SÓ FAMÍLIA

O povoado de Makondolo, que era grande nos anos logo após a guerra (chegando a 400 homens), agora está reduzido a cerca de 20 famílias, por causa das dificuldades que o povo encontra em permanecer naquele lugar, sobretudo pela falta de transporte. Assim durante os 15 dias de curso foi como viver numa só família, todos participando das atividades comuns (de manhã a oração e, à noite, o terço e o filme), partilhando os trabalhos (cozinha, limpeza...) e os problemas (alimentação, remédios...). Sobretudo na hora das refeições era uma festa!


CRIANÇAS

Ainda que os habitantes do povoado sejam poucos, não faltavam as crianças, simpáticas e sempre presentes, mas, às vezes, também perturbadoras! Cada criança mostrava suas características: por exemplo Fernando, o filho de uma senhora que ajudava na cozinha, era sempre tranquilo e sereno; Jorge, filho de uma jovem mãe que participou do curso, chorava continuamente e chamava pela mãe (apelidamos ele de “zangado”); as “irmãzinhas gêmeas”, as mais novas filhas de Mariano, coordenador da cozinha, faziam tudo juntas...

ADOLESCENTES

Juntamente aos animadores, sem tê-los convidados, vieram 10 adolescentes, pertencentes a 4 povoados diferentes. Então, para aproveitar bem daqueles dias, os convidamos a participar dos momentos da comunidade e de algumas atividades (especialmente na ajuda à cozinha). Uma atenção especial dedicamos à formação catequética deles, nem faltaram momento de jogo e de animação. No início foi um pouco difícil a integração entre eles e com os adolescentes do lugar, mas no final saíram todos muito entusiastas!

SEMANA SANTA

A semana santa é um momento forte para reviver os mistérios da morte e ressurreição de Jesus e para animar os fiéis. Por isso, para dar a possibilidade de participar das liturgias pascais àqueles que vivem longe da cidade, esteve em algumas das comunidades mais distantes de Luena.

DOMINGO DE RAMOS

No domingo de ramos celebrei em dois grande povoados, em Cangonga (150 km de Luena) e em Cangumbe (90 km), lembrando a entrada de Jesus em Jerusalém. Porém, para chegar na primeira comunidade, teve que viajar ainda no sábado, aproveitando também para encontrar os adolescentes que estão se preparando para receber o batismo e a 1ª eucaristia. À noite assistimos ao filme sobre a vida de João Paulo II. Nas duas aldeias, a caminhada de ramos e a eucaristia foram bem participadas: os catequistas enfeitaram a igreja, o povo apareceu animado e a criançada e a juventude acompanharam a celebração com entusiasmo.

QUINTA-FEIRA SANTA

Na quinta-feira santa, também, celebrei em duas comunidades: Cassamba (250 km de Luena) e Cangamba (340 km). Lavando os pés dos que representavam os Apóstolos, como Jesus na Última Ceia, pensei no significado profundo daquele gesto e pedi a Deus que me desse força para continuar a “lavar os pés” deste povo, colocando-me sempre mais a serviço dele! Depois da celebração, convidei os fiéis a fazer um pouca de adoração: todos (crianças, jovens, mamães, papais), ficaram na igreja, por mais uma hora, em vigília na frente de Jesus Eucaristia.

SEXTA-FEIRA SANTA

Em Cangamba, na sexta-feira santa pela manhã, a comunidade preparou a dramatização da paixão de Jesus, no pátio ao lado da igreja. Minha surpresa foi grande quando vi a participação em massa do povo e a qualidade da dramatização: sem ter muitos meios materiais a disposição, os “artistas” prepararam os vários momentos com muita criatividade! Depois de cada momento, o coral e os soldados ritmavam os várias passagens de cena, enquanto um cronista fazia a ligação e dava a explicação de tudo o que acontecia (podem ver mais fotos na minha página de facebook: http://www.facebook.com/luigi.deliberali). À tarde realizamos a liturgia da paixão e morte de Jesus, mas como naquele momento veio um fortíssimo temporal, foi necessário esperar mais de uma hora, “refugiados” dentro da igreja, para realizar a liturgia.

VIGÍLIA PASCAL E FESTA DA RESSURREIÇÃO

No sábado-santo várias equipes se dedicaram à preparação da vigília pascal e, quando chegou a noite, começou a grande celebração da ressurreição de Jesus. Terminada a celebração litúrgica, continuou a festa, a noite toda, com cantos, danças, projeções e animações. Para que alguém não desmaiasse, prepararamos um prato de arroz para todos os presentes! Às 5 da manhã, teve a continuação da dramatização da sexta-feira santa com a cena da ressurreição, anunciando-a, depois, pelas ruas da cidadezinha! Mais tarde a comunidade, muito numerosa, voltou a se reunir para a eucaristia solene do dia de Páscoa, expressando sua alegria com muitos cantos e danças.


PÁSCOA NUMA PEQUENA COMUNIDADE

O dia seguinte, juntamente a mais de 30 jovens, foi celebrar a Páscoa num povoado distante 10 km, a pé. Era a 2ª vez que chegava lá e já encontrei a capela construída e uma comunidade bem animada. A viagem de ida e volta, o dia vivido junto, mas, sobretudo, a celebração da eucaristia, foram um testemunho da ressurreição de Jesus e a expressão da felicidade que dela nos vem. Para todos, os moradores da comunidade ofereceram o almoço: foi mais uma alegria!

“PASSOU NA NOSSA FRENTE!”

Depois de 4 horas e uns 150 km percorridos, na viagem de volta podia acontecer um acidente: ainda bem que Maria “passou à nossa frente”! Era meio dia e estava correndo num trecho razoavelmente bom de asfalto, e então sem preocupações, quando ouvi um síbilo e um barulho: pensava tivesse estourado uma correia e parei logo. Quando desci vi que a roda traseira estava saindo: tivesse continuado ainda um pouco podíamos ter virado! Logo pedi socorro (com o satelitar) à comunidade salesiana: depois de 9 horas de espera (que preenchemos com brincadeiras, jogos, lanche, oração, sonecas... mas sempre arrodeados de insetos e mosquitos!), chegaram os mecânicos que conseguiram colocar a roda no seu lugar: A meia noite, pudemos continuar a viagem, chegando em casa às 4 de madrugada, agradecidos a Deus por tudo!


ESPERANDO O NOVO CARRO

Também com tantas dificuldades e problemas, tudo correu bem, porque às 5:30h daquele mesmo dia foi ao aeroporto, comprei a passagem e viajei para Luanda, para participar de um encontro inspetorial sobre a atividade missionária salesiana nas áreas rurais. Agora estou esperando o emplacamento do novo carro, que já saiu do porto, que a inspetoria de Milão (através de tantos amigos e benfeitores) doou para que possamos continuar a anunciar a alegria da Páscoa às mais de 160 comunidades rurais da grande paróquia de São Pedro e São Paulo de Luena!

Pe. Luiz De Liberali

Salesianos de Dom Bosco - Paróquia de São Pedro e São Paulo - Luena – ANGOLA

Celular: 244 – 922.35.89.09 – E-mail: padreluiz@gmail.com

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